O Fim de Nós Mesmos

David Wilkerson (1931-2011)

Muitos crentes ficam tão sobrecarregados por seus fracassos que, com o tempo, passam a se sentir presos, sem qualquer esperança de ajuda. Isaías escreveu sobre crentes assim: “Ó tu, aflita, arrojada com a tempestade e não consolada…” (Isaías 54:11).

Alguns acabam ficando irados com Deus. Cansam de esperar que Ele aja e clamam de forma acusadora: “Senhor, onde estavas quando eu precisei? Clamei por livramento, mas Tu nunca respondeste. Fiz tudo o que sei fazer, e ainda assim não estou livre. Estou cansado de me arrepender e chorar, sem nunca ver mudança.” Muitos desses crentes desistem de lutar e se entregam aos seus desejos.

Outros caem em uma névoa de apatia espiritual. Ficam convencidos de que Deus já não se importa com eles. Dizem a si mesmos: “O Senhor me desamparou, o Senhor se esqueceu de mim” (Isaías 49:14).

Outros ainda acabam concentrando toda a sua atenção no próprio pecado, tentando se manter em um estado constante de convicção. Isso apenas os deixa confusos, clamando: “Se as nossas transgressões e os nossos pecados estão sobre nós, e por causa deles definhamos, como viveremos então?” (Ezequiel 33:10).

O fato é que sentir convicção não é um fim em si mesmo. Quando somos humilhados pela culpa e pela tristeza por causa do nosso pecado, não devemos permanecer nesses sentimentos. Eles devem nos conduzir ao fim de nós mesmos e à vitória da cruz.

Depois de todo o seu choro e clamor ao Senhor, Davi acabou declarando: “Mas em Ti está o perdão, para que sejas temido” (Salmos 130:4). O Espírito Santo começou a inundar sua alma com lembranças das misericórdias de Deus. Ele se recordou de tudo o que havia aprendido sobre a natureza perdoadora do Pai. “…Porém Tu és Deus pronto a perdoar, clemente e misericordioso, tardio em irar-se e grande em benignidade…” (Neemias 9:17).

Logo, Davi estava se alegrando, lembrando a si mesmo: “Pois Tu, Senhor, és bom e pronto a perdoar, e abundante em misericórdia para com todos os que Te invocam” (Salmos 86:5).