Cooperadores de Oração | World Challenge

Cooperadores de Oração

David WilkersonJuly 11, 2011

Muitas vezes a oração é uma das áreas mais egoístas na vida dos cristãos. Muitos de nós temos de admitir que a maioria de nossas orações se concentram em nossas próprias necessidades.

Ocasionalmente, podemos ir além de nossas próprias estreitas preocupações e oramos pelos outros. Contudo geralmente quando dizemos a alguém, “Vou orar por você”, não o fazemos. Ou oramos uma vez e então rapidamente esquecemos a necessidade da pessoa.

Segundo as escrituras, a nossa própria doce comunhão com o Senhor não é o suficiente. Sim, a oração é o segredo para o crescimento espiritual. Mas, se vamos ao trono unicamente para nossa edificação e necessidades pessoais, estamos sendo egoístas. A Bíblia mostra que não podemos negligenciar o orar seriamente pelas urgentes necessidades ao nosso redor.

Nosso ministério teve notícia recentemente de um idoso e precioso senhor de San Diego. Este querido homem dizia que Deus o havia instigado a orar por mim diariamente, e perguntava se poderia me colocar em sua lista de oração. Aparentemente, os recebedores da intercessão deste homem incluíam uma longa lista de viúvas, pessoas pobres, ministros e pessoas não salvas. Ele tem orado por elas há anos.

O homem é funcionário aposentado dos correios e tem uma vida bem simples. Passa o tempo fazendo boas ações pelos outros, em comunhão com o Senhor ao longo de todo o dia. Ele dirige pela cidade apanhando móveis velhos e outros itens abandonados como entulho e os conserta para doá-los a viúvas e aos pobres. Ele também faz compras e serviços para os que não podem se locomover, conserta seus encanamentos e ajuda a suprir suas demais necessidades.

O tempo todo em que tal homem faz essas boas obras, ele ora sem cessar, intercedendo fielmente por cada um em sua lista; na verdade ele só risca os nomes da lista quando morrem.

Tenho sido um homem de oração desde que fui chamado para pregar aos oito anos de idade. Mas esse homem de Deus me deixa envergonhado. Não tenho nenhuma lista de pessoas necessitadas por quem ore diariamente – mas este servo de Deus continua orando.

Creio que ele seja como a viúva destituída que fez uma pequena oferta - entretanto muito mais valorosa que a dos outros. Na verdade, quando penso em todo o evangelismo incrível que tem colhido almas para o reino de Deus, sou lembrado de que isso só acontece por causa das incríveis orações de auxílio de pessoas como esse homem.

Esta mensagem é a respeito de como desenvolver essa vida abençoada de oração – como tornar-se verdadeiramente um cooperador de oração.

Paulo diz que foi livrado de “perigos de morte” não por sua fé, mas através da oração de “cooperadores”

“Porque não queremos, irmãos, que ignoreis a tribulação que nos sobreveio na Ásia, pois que fomos sobremaneira oprimidos acima das nossas forças, de modo tal que até da vida desesperamos” (2 Coríntios 1:8). A palavra em grego para “oprimidos” aqui significa “sobrecarregados de forma mui pesada, esmagados dolorosamente”. Paulo estava dizendo, “A crise foi tão séria que chegou além de minhas forças. Pensei ser o fim”.

Ele foi consolado quando Tito chegou, trazendo-lhe boas novas quanto aos seus “filhos amados” em Corinto. Paulo escreve, “Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a vinda de Tito; e não somente com a sua vinda, mas também pela consolação com que foi consolado a vosso respeito, enquanto nos referia as vossas saudações, o vosso pranto, o vosso zelo por mim” (7:6-7).

A tribulação de Paulo o trouxera ao fim de suas forças. Ele sabia que não tinha mais força para lutar contra os poderes das trevas. Então ele sentenciou sua própria carne à morte. E Deus maravilhosamente o livrou: “O qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará” (2 Coríntios 1:10).

Paulo diz que houve ainda outro fator importante em seu livramento: a poderosa intercessão dos ajudadores de oração. “Ajudando-nos também vós com orações por nós” (1:11). Paulo estava dizendo aos seus leitores “Sim, estou confiante que Deus há de me livrar. É porque vocês estão ajudando isso a acontecer pela oração”.

Veja, Paulo reconhecia sua necessidade desesperada de cooperadores em oração. Ele sabia muito bem que Deus seria seu escudo de proteção para livrá-lo de cada inimigo.

Mas Paulo também sabia que as escrituras dizem que oração e livramento são inseparáveis. Deus nos diz, “Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Salmos 50:15). “Quando ele me invocar, eu lhe responderei; estarei com ele na angústia, livrá-lo-ei, e o honrarei” (91:15).

Paulo sabia que foi através das orações – suas e daqueles cooperadores – que ele foi livre “da boca do leão”.

Uma das maiores necessidades na igreja hoje é este ministério de cooperador em oração

Como servos consagrados do Senhor estamos continuamente em perigo vindo do inimigo. Nossa paixão por Jesus enfurece Satanás, que continuamente planta todos os tipos de laços e armadilhas para nós.

Um destes perigos está sendo levado de forma muito leviana na igreja: a separação ou divórcio de casais cristãos. Fiquei chocado com a quantidade de cartas que nosso ministério recebe falando de casamentos instáveis. Todos os tipos de motivo são dados para a agitação nos lares cristãos: incompatibilidade, falta de comunicação, perda de afeição, infidelidade. Na verdade, trata-se de muito mais que essas coisas. Por trás de tudo está um ataque do inferno aos santos de Deus.

Lares partidos entre os não cristãos não é mistério algum. Mas entre os justos todo turbilhão dessa natureza tem uma causa. Pense nisso: como podem cristãos consagrados que serviram a Deus jubilosamente por anos, de repente não terem nenhuma autoridade em seus lares? Eles sabem tudo do juramento de Deus em ser sua força e de destruir todo poder satânico que venha contra eles. Então, por que o Diabo está prevalecendo?

Se você está sob tal ataque, você deveria estar perguntando o que os discípulos perguntaram: “Mestre, por que não conseguimos expulsar aqueles demônios?”. Jesus respondeu que certas escravidões demoníacas não reagem à imposição de mãos ou a uma única oração. O único meio de expulsar tais fortalezas poderosas é com oração e jejum contínuos.

Todavia, às vezes a igreja pode estar em letargia no tocante ao poder da oração. Sempre que alguns cristãos enfrentam problemas, a última alternativa à qual recorrem é Jesus; ao invés disso, se voltam a psicólogos, conselheiros, livros, amigos – para todo canto, menos para o Senhor.

Se você diz que seu casamento está em ruínas e você o quer curado, pergunto: quanto tempo você passa trancado em seu lugar secreto de oração abalando os céus em favor do seu casamento? Quantas refeições você perdeu porque jejuou pela cura junto com o cônjuge? Quantas vezes você clamou “Pai, Tu precisas agir em nosso favor. Faça o que for necessário para nos curar!”.

Alguns estudiosos da Bíblia alegam que é incredulidade de nossa parte fazer o mesmo pedido a Deus várias vezes. Isso é heresia! Deus nos ordena pedir, buscar, jejuar, clamar em súplica eficaz e séria. Desde o início, servos genuínos têm tornado as promessas de Deus em orações:

  • Jesus sabia que o Pai prometera todas as coisas a Ele antes da fundação do mundo. Entretanto Cristo ainda gastava horas orando para que a vontade de Deus fosse feita na terra. Ele até mesmo contou uma parábola ilustrando persistência em oração, sobre a “viúva importuna” que continuava exigindo justiça de um juiz até obtê-la.
  • Deus deu a Ezequiel profecias maravilhosas quanto à restauração de Israel, prometendo que as ruínas da nação se tornariam como o jardim do Éden. No entanto, o Senhor disse que Sua palavra não se cumpriria sem oração: “Ainda por isso serei consultado da parte da casa de Israel, que lho faça” (Ezequiel 36:37). Em outras palavras, “Fiz uma promessa a vocês, mas quero que orem para que ela se cumpra. Me busquem de todo o coração até que vejam Minha palavra cumprida. Vou liberá-la, mas primeiro vocês precisam pedir”.
  • Deus prometeu a Daniel que depois de setenta anos Israel seria restaurado. Quando Daniel viu o ano indicado chegar, ele poderia ter esperado com fé para que Deus cumprisse a palavra. Ao invés disso Daniel caiu com o rosto em terra e orou por duas semanas até que viu o Senhor concretizar tudo.

Deus ordena que oremos uns pelos outros (ver Tiago 5:13-14)

No Velho Testamento, o sacerdote de Israel carregava em seu peitoral o nome de todas as tribos de Israel. Isto significava que as necessidades do povo estavam continuamente no coração do sacerdote em oração. Que imagem maravilhosa! Significa Cristo carregando-nos em Seu coração e apresentando nossas necessidades ao Pai. Contudo é também um quadro de todo cristão, sacerdócio real, carregando as necessidades dos outros em nossos corações.

Paulo era tão consciente de sua necessidade da oração dos santos que rogava por “cooperadores em oração” em todos os lugares. Ele implora aos romanos, “Rogo-vos, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas vossas orações por mim a Deus, para que eu seja livre” (Romanos 15:30-31). Igualmente ele pede aos tessalonicenses, “Irmãos, orai por nós” (1 Tessalonicenses 5:25).

A palavra em grego para “luteis” aqui significa “se empenhem comigo como companheiros de oração; briguem por mim em oração”. Paulo não estava pedindo uma rápida menção ao trono. Ele estava rogando, “Lutem por mim em oração. Façam realmente uma batalha espiritual por mim e pelo evangelho”.

Quando Paulo estava na prisão pronto a entregar sua vida, ele rogou aos filipenses por suas orações: “Porque sei que isto me resultará em salvação, pela vossa súplica e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo” (Filipenses 1:19). Paulo sabia que era um homem marcado, que as hordas de Satanás estavam resolvidas a destruí-lo. O mesmo ocorre com cada verdadeiro ministro do evangelho. Todo pastor, pregador e evangelista precisa de cooperadores de oração que irão interceder por eles continuamente.

Posso lhe assegurar que eu não poderia escrever isso se não fosse pelos ajudadores na oração que permaneceram comigo ao longo dos anos. Fui lembrado quanto a isso quando estive na Europa para conduzir conferências para ministros e realizar cruzadas todas as noites. O tempo inteiro o Espírito de Deus fez-me consciente de que estava sendo carregado pelas orações de uma multidão de pessoas.

Em Nice, na França, evangelistas americanos não eram bem vistos. Todos se preocupavam quanto à cruzada daquela noite, imaginando “Será que vamos conseguir realizá-la?”. A França é exuberante no ceticismo, ateísmo, agnosticismo, incredulidade. Jamais se havia tentado organizar uma reunião como a que planejamos.

Quando chegou a hora, entretanto, milhares se reuniram. Mas foi aí que comecei a me sentir frágil. Eu não sabia o que pregar. Nenhuma mensagem que eu levei parecia se encaixar. Meu intérprete e eu tínhamos revisto algumas anotações de antemão, mas eu não estava certo de que seriam corretas para a reunião. Eu o alertei “Não tenho certeza do que vou pregar”.

Quando subi ao púlpito, contudo, o Espírito caiu sobre mim poderosamente. Senti as orações de milhares de santos me sustentando. E quando comecei a falar, o Espírito Santo encheu minha boca. Preguei por quarenta minutos, e o tempo inteiro você podia ouvir até uma mosca voar. Quando encerrei, disse simplesmente, “Se você precisa de Jesus, por favor, venha à frente”. Centenas de pessoas se levantaram em resposta.

A mesma coisa aconteceu em todos os outros países onde ministramos naquela viagem: Croácia, Romênia e Polônia. Eu orava antes: “Senhor, o que devo dizer?”. Cada vez, o Espírito cochichava para mim, “As pessoas estão orando”. Estou convencido de que o poder da oração foi a força motora por trás das muitas salvações que testemunhamos naquela viagem.

Quantos ministros poderiam ter evitado a ruína se tivessem cooperadores de oração?

Recentemente escrevi sobre a esposa de um pastor que deixou uma mensagem dolorosa no serviço de respostas do nosso ministério. Ela disse em palavras muito críticas, “Irmão Dave, milhares de esposas de pastores bebem em segredo para encobrir a dor. É o que eu faço. Eu bebo para atenuar a dor”. Outras esposas de ministros escrevem a respeito de seus casamentos problemáticos, ou do vício de seus maridos na pornografia da internet.

Sinto um chamado de Deus para ajudar essas pessoas em oração. Oro pelos ministros e suas famílias, porque sei que eles precisam mais do que ninguém. Não descarto mais os pedidos de pessoa alguma. Aprendi por experiência própria que oração cooperativa funciona! As escrituras dizem que quando Pedro estava em cativeiro, “a igreja orava com insistência a Deus por ele” (Atos 12:5). Deus libertou Pedro com um milagre através das orações cooperativas.

Paulo não apenas pedia cooperadores de oração, mas ele mesmo era um cooperador. Ele sabia que isso era parte de seu chamado como ministro do evangelho. Ele escreveu aos filipenses, “A todos os santos... com os bispos e diáconos... Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós, fazendo sempre, em todas as minhas orações, súplicas por todos vós com alegria... porque vos retenho em meu coração” (Filipenses 1:1, 3-4, 7).

Igualmente, Paulo escreve aos romanos, “Pois Deus, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós” (Romanos 1:9). A palavra “menção” significa “recito vossos nomes e necessidades ao Senhor”. Em suma, Paulo não pedia aos outros para se comprometerem com algo que ele mesmo não estivesse disposto a fazer.

Você está ciente de um irmão ou irmã cujo casamento está com problemas? Caso esteja, o que você faz em relação a isso? Você meramente diz aos outros, “Que pena, eles estão para se separar”? Ou você apresenta seus nomes ao Senhor e luta por eles em oração?

Como o precioso santo em San Diego, um verdadeiro ajudador de oração é alguém que ora sem cessar pelas necessidades dos outros. Ele não ora por eles apenas uma vez e para. Não, ele intercede dia após dia. E, como Daniel, ele não desiste até ver Deus suprir a necessidade.

Você deseja esse ministério de ser um cooperador de oração? Se você não conhece alguém com uma necessidade, comece orando por todos os casamentos cristãos e todos os santos de Deus. Suas orações não precisam ser longas. Simplesmente apresente seu pedido e creia em Deus para ouvi-lo.

Isso foi ilustrado para mim uma vez quando estava doente de cama. Um de meus netos entrou e anunciou, “Papa, vou orar por você”. Meu pequeno cooperador colocou a mão na minha cabeça e orou, “Jesus, faça ele ficar bom”. Eu sorri e o agradeci. Mas ele continuava olhando para mim. Finalmente, ele disse “Você está curado. Levante!”. Então, eu de fato levantei – e estava curado. Sua oração de fé me colocou de pé.

Livramentos poderosos acontecem quando os santos de Deus O buscam diligentemente com fé como de uma criança, em favor das necessidades dos irmãos e irmãs. Encerro aqui relembrando o testemunho comovente de Paulo:

“Portanto já em nós mesmos tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós, mas em Deus, que ressuscita os mortos; o qual nos livrou de tão horrível morte, e livrará; em quem esperamos que também ainda nos livrará, ajudando-nos também vós com orações por nós, para que, pela mercê que por muitas pessoas nos foi feita, por muitas também sejam dadas graças a nosso respeito” (2 Coríntios 1:9-11).
 

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